Quando o cansaço não é falta de força, mas sim o fim de um ciclo.

Há apenas um movimento interno tão sutil que, por vezes, eu duvidei que algo estivesse acontecendo....

Juliana Pozzi _ Através de Mim

12/4/20253 min read

a nude woman is bending over in the dark
a nude woman is bending over in the dark

Eu cheguei num momento do meu caminho em que a minha alma não pede mais respostas... ela pede pausa.

Não porque eu desisti, não porque falhei, não porque perdi o rumo, mas porque cresci demais para caber na estrutura antiga.

Esse é um cansaço diferente, que chega silencioso e pesa no peito como um suspiro interminável, mas não é uma fraqueza. É um sinal.

Um sinal de que algo dentro de mim já não sustenta a versão que eu vinha carregando. Um sinal de que o ciclo antigo terminou, mesmo que a minha mente ainda tente manter tudo no lugar.

E quando eu penso “ chega, já deu”, quando tudo parece pesado demais, quando a vida parece pedir mais do que eu tenho para oferecer… isso não é o fim... é só o colapso da minha antiga identidade.

Isso é a alma apertando o botão que diz:

“Pare.
Volte.
Respire.
Eu preciso de espaço para nascer de novo.”

Nesse caso o colapso não é destruição, é o retorno.

A gente vai vivendo tudo junto e misturado, o jogo mais pesado da 3D junto com um mega ápice do despertar. E de repente se dá cota de que ninguém te avisou que despertar dói. E eu não falo pela dor dramática, mas sim pela sutileza de sentir o conhecido se desfazer....

Dói porque você não está perdendo o mundo, está perdendo o que projetou sobre ele.

Dói porque você não está deixando pessoas, está deixando versões suas que foram criadas para sobreviver, não para viver.

Dói porque você não está abandonando a vida, está abandonando o medo.

Dói porque o cansaço é tão profundo que eu quase não percebi que é ai, nesse ponto exato em que o meu velho eu começou a desmoronar. E quando isso acontece você percebe que o desmoronamento, por mais silencioso que seja, é sempre um ato de libertação.

O vazio que chega depois disso tudo é parte do processo. E sem a gente entender muita coisa, de repente a motivação some, a alegria parece distante, as perguntas não fazem mais sentido e as certezas se desfazem... E ai você pensa que está regredindo... Mas, na verdade, está voltando para o ponto de origem.

Eu entendi que o vazio não é ausência é preparação.

Ele limpa o terreno interno para que uma nova consciência possa emergir.
É no vazio que você consegue escutar o que antes era abafado.
É no silêncio que você volta a sentir quem realmente é.

Percebi que é por isso que o meu corpo pede descanso.
É por isso que a mente desacelera.
É por isso que o coração amplia.

Nada está errado comigo e nem com você. Só estamos mudando de frequência e quando o “eu antigo” cai, o novo não chega fazendo barulho..

Não há explosão.
Não há clarão.
Não há visão milagrosa.

Há apenas um movimento interno tão sutil que, por vezes, eu duvidei que algo estivesse acontecendo....

E mesmo assim, estava e ainda está.

Sabe, você começa a ver o mundo sem os filtros de antes... começa a reagir com menos peso.
Você começa a sentir um espaço novo dentro de você, um espaço que antes não existia.

eu percebi que é assim que a consciência retorna ao centro.

Não com espetáculo, mas com presença.
Não com certezas, mas com a sua verdade.

Este é o início de algo maior.. quando você está cansada do jogo, é porque a parte do jogo que te mantinha presa já não te pertence.

Quando você sente que não quer experienciar mais nada, é porque o que você conhecia como “experiência” está mudando.

Quando a neutralidade chega como conforto e não como indiferença, significa que você está voltando para o ponto onde tudo nasce.

Esse é o meu marco.
O meu divisor de águas.
A minha fronteira entre quem eu fui e quem eu começo a ser agora.

E assim eu percebi que não estou perdida. Entendi que estou chegando... E quando você chega em si, a vida deixa de ser uma luta e vira escuta.

Escuta do corpo.
Escuta do coração.
Escuta da consciência que sempre esteve ali, esperando a gente baixar as armas.

A transição não é sobre encontrar um novo caminho. É sobre reconhecer que o caminho sempre foi você.

Então, se hoje o cansaço me chama, se o vazio me abraça, se o silêncio me envolve…

Eu não fujo.

Eu fluo, porque é nesse fluir que a nova versão está emergindo.

E tudo o que ela precisa agora é:

Tempo.
Suavidade.
E permissão.

Eu não estou parando... Estou voltando ao meu eixo.

E é aqui que tudo renasce com lembrança e a certeza do que sou.